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12 de outubro de 2011

Caixa Anuncia Abertura de Concurso para Técnico


O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Fontes Hereda, anunciou com exclusividade à FOLHA DIRIGIDA que o banco já iniciou os preparativos do próximo concurso, de âmbito nacional, para técnico bancário, de nível médio, e também para o de carreiras de nível superior. Como o prazo de validade das seleções do ano passado vence em junho de 2012, o presidente adiantou que os novos editais deverão sair no início do próximo ano.


“Temos que fazer os novos concursos pelo menos uns seis meses antes do fim do prazo dos anteriores, para não termos problemas com substituições de funcionários. Então, a Caixa sempre mantém concursos em validade, e vamos continuar assim. Em 2012, devem ser feitos os novos concursos, e vamos deixar preparado para os próximos anos também, para a admissão de novos funcionários”, adiantou Hereda, durante uma homenagem pelos 150 anos da Caixa na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Atualmente, a remuneração do técnico bancário da Caixa é de R$2.310,41, sendo R$1.600 de vencimentos-base, R$311.08 de auxílio-alimentação e R$399,33 de auxílio-refeição. Contudo, os bancários estão em greve, exigindo reajuste.
Transparência - Com o anúncio antecipado dos concursos públicos, os futuros candidatos ganham tempo para se prepararem, situação mais importante ainda porque a Caixa costuma atrair milhares de pessoas em todo o país. Hereda acredita que quem participa de seleções deve se dedicar. “Acho que é bom estar preparado em qualquer concurso. A Caixa faz concursos periódicos sempre, e vai continuar fazendo”, destaca.
O presidente do banco informa que a equipe da Caixa está trabalhando na elaboração dos concursos, mas ainda não definiu qual edital sairá primeiro. Tradicionalmente, são dois editais para nível médio: um para cadastro nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, e outro, chamado nacional, para os demais estados e o Distrito Federal. “Costumamos fazer dois editais, e isso tem dado certo até agora, e é um bom motivo para a gente continuar”, salienta o presidente. Já para as carreiras de nível superior, costuma ser divulgado um edital nacional.
Jorge Hereda destaca também que o objetivo da Caixa é sempre manter um cadastro de aprovados em validade, para as eventuais saídas de funcionários e a reposição dos quadros. “Fazemos seleção para todos os cargos, pois temos que ter essa possibilidade de acesso rápido à reposição de funcionários. A gente sempre mantém um concurso valendo, para ter essa substituição, o que vai ser feito também em 2012″, reafirmou Hereda. (Colaborou Diana Figueiredo)



Saiba como foi o último concurso
Quem quiser seguir a orientação do próprio presidente da Caixa, Jorge Fontes Hereda, e dos especialistas em concursos públicos e já iniciar os estudos para técnico bancário, pode iniciar a preparação com base no programa do último concurso, publicado ao lado.

O concurso contou com prova de 60 questões objetivas: 30 de Conhecimentos Básicos (Língua Portuguesa, Matemática, Ética, Atendimento, História e Legislação Específica) e 30 de Específicos (Conhecimentos Bancários e Informática).
O candidato tinha três horas para realizar o exame, e para conseguir aprovação, era necessário obter nota igual ou superior a 36 no pólo, e ainda não tirar nota zero em nenhuma das provas objetivas. Após a homologação do resultado final do concurso, a Caixa Econômica realizou os exames médicos admissionais, que consistem em avaliação da capacidade física e mental para o desempenho das atividades e atribuições do cargo. Nessa fase, de caráter eliminatório, houve um teste de personalidade e entrevista.
No ato da inscrição, o candidato teve que optar por um local de atuação (pólo de trabalho), que foi automaticamente vinculado a um macropolo e à cidade de prova.

Concurso 2010: mais de 7 mil admissões
Conforme o presidente da Caixa Econômica Federal informou, a instituição faz concursos periódicos, tendo os últimos sido realizados em 2010. Na ocasião, a seleção para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, organizada pelo Cespe/UnB, contou com cerca de 278 mil participantes, e a de âmbito nacional atraiu cerca de 700 mil participantes. Os dois concursos foram para a formação de cadastro de reserva, e até o último dia 3, segundo o banco, foram convocados 7.848 aprovados em todo o país, somando as duas seleções para o nível médio.

Foram admitidos 696 habilitados no Rio de Janeiro, 2.392 em São Paulo, 715 em Minas Gerais, 753 no Distrito Federal, 147 em Goiás, 111 em Mato Grosso e 70 em Mato Grosso do Sul, incluídos os portadores de deficiência. Nesse quantitativo, também está a função de técnico bancário da área de tecnologia da informação, cargo oferecido somente no Rio e no Distrito Federal, com 18 e 79 convocados, respectivamente.
A Caixa não informou quando novas admissões serão realizadas, mas  aqueles que estão no cadastro de reserva podem acompanhar os dados por pólo de trabalho no site do próprio banco e na Central de Atendimento da Caixa (opção demais serviços bancários).
Para técnico bancário, nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, o prazo de validade expira no dia 13 de junho de 2012. Já a seleção para a mesma carreira, em âmbito nacional, é válida até 28 de junho de 2012. As convocações para os cargos de advogado, arquiteto e engenheiro poderão ocorrer até o dia seguinte.

Programa do último concurso – nível médio
Enquanto aguardam a publicação do edital, os futuros candidatos já podem iniciar os estudos, com base no programa do último concurso para técnico bancário.
CONHECIMENTOS BÁSICOS (comuns a todos os polos)
LÍNGUA PORTUGUESA: 1 Compreensão e interpretação de textos. 2 Tipologia textual. 3 Ortografia oficial. 4 Acentuação gráfica. 5 Emprego das classes de palavras. 6 Emprego do sinal indicativo de crase. 7 Sintaxe da oração e do período. 8 Pontuação. 9 Concordância nominal e verbal. 10 Regência nominal e verbal. 11 Significação das palavras.
MATEMÁTICA: 1 Funções exponenciais e logarítmicas. 2 Noções de probabilidade e estatística. Juros simples e compostos: capitalização e descontos. 3 Taxas de juros: nominal, efetiva, equivalentes, proporcionais, real e aparente. 4 Rendas uniformes e variáveis. 5 Planos ou Sistemas de Amortização de Empréstimos e Financiamentos. 6 Cálculo financeiro: custo real efetivo de operações de financiamento, empréstimo e investimento. 7 Avaliação de Alternativas de Investimento. 8 Taxas de
Retorno.
ÉTICA: 1 Conceitos: ética, moral, valores e virtudes. 2 Ética aplicada: noções de ética empresarial e profissional. 3 A gestão da ética nas empresas públicas e privadas. 4 Código de Ética da CAIXA (disponível no sítio da CAIXA na internet). 5 Código de conduta da alta administração pública.
ATENDIMENTO: 1 Legislação: Lei n°. 8.078/90; Código de Defesa do Consumidor; Resoluções CMN/Bacen nº. 2.878/01 e nº. 2.892/01 e alterações posteriores; Código de Defesa do Consumidor Bancário; Lei nº. 10.048/00; Lei nº. 10.098/00; Decreto nº. 5.296/04. 2 Marketing em empresas de serviços: Marketing de relacionamento. 3 Satisfação, valor e retenção de clientes. 4 Propaganda e promoção. 5 Telemarketing. 6 Vendas: técnicas, planejamento, motivação para vendas, relações com clientes. 7 Segmentação de mercado versus segmentação do setor bancário.
HISTÓRIA E ESTATUTO DA CAIXA: 1 História e Missão da CAIXA (disponível no site da CAIXA www.caixa.org.br ). 2 Estatuto da CAIXA (Da Denominação, Sede, Foro, Duração e Demais Disposições Preliminares, Dos Objetivos, Do Pessoal).
LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA: 1 Lei nº 7.998/90 (Programa Desemprego e Abono Salarial – beneficiários e critérios para saque); (FGTS: possibilidades e condições de utilização/saque; Certificado de Regularidade do FGTS; Guia de Recolhimento – GFIP; Cartão do Cidadão); Lei Complementar n.º 7/70 (PIS). 2 Princípios Constitucionais da Administração Pública: Princípio da Legalidade, Princípio da Impessoalidade, Princípio da Moralidade Administrativa, Princípio da Publicidade e Princípio da Responsabilidade Administrativa.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS (para todos os polos, exceto o polo Brasília – Tecnologia da Informação – TI)
CONHECIMENTOS BANCÁRIOS: 1 Abertura e movimentação de contas: documentos básicos. 2 Pessoa física e pessoa jurídica: capacidade e incapacidade civil, representação e domicílio. 3 Cheque – requisitos essenciais, circulação, endosso, cruzamento, compensação. 4 Sistema de Pagamentos Brasileiro. 5 Estrutura do Sistema Financeiro Nacional (SFN): Conselho Monetário Nacional; Banco Central do Brasil; Comissão de Valores Mobiliários; Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional; bancos comerciais; caixas econômicas; cooperativas de crédito; bancos comerciais cooperativos; bancos de investimento; bancos de desenvolvimento; sociedades de crédito, financiamento e investimento; sociedades de arrendamento mercantil; sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários; sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários; bolsas de valores; bolsas de mercadorias e de futuros; Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC); Central de Liquidação Financeira e de Custódia de Títulos (CETIP); sociedades de crédito imobiliário; associações de poupança e empréstimo; Sistema de Seguros Privados: sociedades de capitalização; Previdência Complementar: entidades abertas e entidades fechadas de previdência privada. 6 Noções de política econômica, noções de política monetária, instrumentos de política monetária, formação da taxa de juros. 7 Mercado Financeiro – mercado monetário; mercado de crédito; mercado de capitais: ações – características e direitos, debêntures, diferenças entre companhias abertas e companhias fechadas, funcionamento do mercado à vista de ações, mercado de balcão; mercado de câmbio: instituições autorizadas a operar; operações básicas; contratos de câmbio – características; taxas de câmbio; remessas; SISCOMEX. 8 Mercado Primário e Mercado Secundário.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA: 1 Conceitos e modos de utilização de aplicativos para edição de textos, planilhas e apresentações: ambiente Microsoft Office, BR Office. 2 Sistemas operacionais: Windows e LINUX. 3 Conceitos básicos e modos de utilização de tecnologias, ferramentas, aplicativos e procedimentos associados à Internet e intranet. 4 Conceitos de organização e de gerenciamento de informações, arquivos, pastas e programas. 5 Certificação e assinatura digital.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS (exclusivamente para o polo Brasília – Tecnologia da Informação – TI)
CONHECIMENTOS BANCÁRIOS: 1 Abertura e movimentação de contas: documentos básicos. 2 Pessoa física e pessoa jurídica: capacidade e incapacidade civil, representação e domicílio. 3 Cheque – requisitos essenciais, circulação, endosso, cruzamento, compensação. 4 Sistema de Pagamentos Brasileiro. 5 Estrutura do Sistema Financeiro Nacional (SFN): Conselho Monetário Nacional; Banco Central do Brasil; Comissão de Valores Mobiliários; Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional; bancos comerciais; caixas econômicas; cooperativas de crédito; bancos comerciais cooperativos; bancos de investimento; bancos de desenvolvimento; sociedades de crédito, financiamento e investimento; sociedades de arrendamento mercantil; sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários; sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários; bolsas de valores; bolsas de mercadorias e de futuros.
INFORMÁTICA: 1 Fundamentos de computação. 2 Organização e arquitetura de computadores. 3 Componentes de um computador (hardware e software). 4 Sistemas de entrada, saída e armazenamento. Sistemas de numeração e codificação. Aritmética computacional. 5 Princípios de sistemas operacionais. 6 Características dos principais processadores do mercado. 7 Aplicações de informática. Família Windows e UNIX. 8 Desenvolvimento de sistemas. Metodologias de desenvolvimento. Análise e projeto estruturado. Modelagem funcional e de dados. Ferramentas de desenvolvimento de software e ferramentas CASE. 9 Aspectos de linguagens de programação, algoritmos e estruturas de dados e objetos. Programação estruturada. Programação orientada a objetos. 10 Bancos de dados. Organização de arquivos e métodos de acesso. Abstração e modelo de dados. Sistemas gerenciadores de banco de dados (SGBD). 11 Linguagens de definição e manipulação de dados. Linguagem de consulta – SQL; conceitos e comandos PLSQL. 12 Bancos de dados textuais.

29 de julho de 2011

INSS define vagas do concurso até dia 13

Até o dia 13 de agosto, deverá ser definido o quantitativo de vagas do concurso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), recentemente autorizado pela presidente Dilma Rousseff, segundo a Assessoria de Imprensa do ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho. A definição da oferta depende de uma reunião com representantes do Ministério do Planejamento. Depois disso, a realização da seleção será oficializada por meio do decreto de autorização, a ser publicado no Diário Oficial da União.

Sabe-se que o INSS solicitou o preenchimento de 10 mil vagas (escalonadas, até 2014), sendo 8 mil para técnico (médio), com vencimentos de R$2.980,00 e 2 mil para analista (superior), com remuneração de R$4.917,00. O objetivo inicial do INSS era de oferecer, ainda este ano, 2 mil vagas. O objetivo do INSS é suprir a demanda de servidores oriunda da criação de 720 agências do Plano de Expansão da Rede de Atendimento (PEX), além de minimizar o déficit de profissionais e se preparar para reposição dos aposentados.

O presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social (Anasps), Paulo César Regis de Souza, aplaudiu a decisão da presidente Dilma. Contudo, o dirigente quer que todas as 10 mil vagas solicitadas sejam autorizadas prontamente, já que os servidores do INSS estão trabalhando no limite, com uma demanda de mais de 25 milhões de processos/ano e mais de 2,2 milhões/mês nas áreas de benefícios previdenciários e acidentários. "Dados do DatAnasps indicam que o INSS tem necessidade de 18.015 servidores para que possa prestar serviços de mais qualidade nas suas 1.200 unidades. Isto representa quase 50% do seu efetivo atual que é de 37,826 servidores, incluindo os profissionais da perícia médica.

A lotação ideal do INSS é de 55.941 profissionais. Em termos objetivos o INSS, precisa no mínimo de 12 mil técnicos e 3.564 analistas do Seguro Social", frisou o Paulo de Souza, além de acrescentar a necessidade de contratação de 639 médicos peritos entre outros profissionais. "Espero que a ministra Miriam Belchior mande abrir concurso para 10 mil servidores", completou. O diretor do Sindsprev-RJ, Manoel Crispim, comentou a posição destacada do ministro Garibaldi no processo de negociação para o concurso. "O ministro foi muito feliz. A sua postura é reflexo das reivindicações feitas pelas entidades sindicais, como CSP-Conluta, Sindsprev e Fenasps, que cobraram a abertura de concurso para atender à demanda. O governo se propôs abrir novas agências e essas unidades precisarão de novos servidores para que, de fato, possam funcionar plenamente", frisou o sindicalista, que também integra a Executiva Nacional do Central Sindical Popular (CSP-Conlutas) e a Mesa de Negociações do Funcionalismo Público Federal.

São grandes as chances de o próximo concurso para a área de atendimento do INSS ser similar ao da seleção promovida em 2008. Isso porque é pequeno o intervalo de realização entre os processos seletivos e por não ter havido alterações nas atribuições das carreiras de técnico e analista, que poderiam justificar mudança no conteúdo das disciplinas da prova.

Em 2008, sob organização do Cespe/UnB, os concorrentes enfrentaram apenas um exame objetivo. Foram cobradas 150 questões objetivas, que versaram sobre Conhecimentos Básicos (50), Complementares (30) e Específicos (70). Contudo, para os candidatos às funções de analista, na especialidade de Direito, as questões abrangeram somente Conhecimentos Básicos (70) e Específicos (80).

A aprovação esteve condicionada à obtenção de, pelo menos, dez pontos nas disciplinas básicas, seis nas complementares, 18 nas específicas e 45 no conjunto da avaliação. Novamente, a exceção ficou por conta do cargo de analista, na especialidade de Direito. Nesse caso, os candidatos necessitaram obter, no mínimo, 14 pontos em Conhecimentos Básicos, 20 em Específicos e 45 no conjunto do exame.

O programa de Conhecimentos Básicos foi composto pelas disciplinas de Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico, Noções de Informática, Atualidades e Matemática (exclusivamente para técnico). Já Conhecimentos Complementares contemplou: Ética no Serviço Público, Noções de Direito Constitucional (somente para analista), Noções de Direito Administrativo e Noções de Direito Previdenciário (somente para analista).

Fonte: Folha Dirigida

21 de janeiro de 2010

Palavra para os concurseiros amadores

Sábado, 1º de março de 2008, 19 horas, estou lendo. Os filhos estão brincando, a esposa organizando álbuns de fotografias. Deleito-me com Henri Nouwen. Leio uma frase genial e me recordo do compromisso de, semanalmente, entregar alguma palavra de ânimo, conforto e confraternização para os concurseiros, "raça" à qual orgulhosamente pertenço. As dicas técnicas sobre "como passar" estão nos meus livros, mas a conversa sobre o dia, sobre as novidades,tudo isto tem seu lugar aqui, na coluna. Às vezes trato com os concurseiros mais experientes, às vezes, como hoje, com os "amadores", os iniciantes. Às vezes abordo assuntos diretamente relacionados com o concurso, como uma anulação de prova ("dos males, o menor"), às vezes comento sobre assuntos periféricos e nem por isso menos importantes, como família, depressão, sonhos, saúde. Assuntos que afetam diretamente a capacidade produtiva e intelectual para fazer frente aos concursos e, mais que isso, para permanecer inteiro, equilibrado, preferencialmente feliz.

A frase de Henri que me fez saltar do sofá e vir para a máquina é a seguinte: "Cada pessoa era na verdade um amador, que literalmente quer dizer 'aquele que a ma'" (1). Mas para entender a frase é preciso entender o homem que a proferiu e o contexto onde a mesma foi pronunciada.

Henri Nouwen era Professor em Harvard, Yale e Notre Dame. Famoso, respeitado, lido, admirado. Contudo, optou por largar livros, palestras e status e incorporar-se como padre de uma comunidade que atendia a deficientes mentais, A Arca. Mais curioso que isso, disse que quem precisava daquele movimento não eram os deficientes que ele passou a cuidar, mas ele mesmo e sua alma conturbada pelas pressões intelectuais e filosóficas da vida que levava. Segundo Nouwen (2):

"Aprendi como fazer palestras e escrever livros, como expor tema sistematicamente, como compor títulos e subtítulos, como argumentar e como analisar. Portanto, eu não sabia muito bem me comunicar com homens e mulheres que mal falam e, se o fazem, não estão interessados em argumentos lógicos ou opiniões bem elaboradas." E, prossegue, dizendo de sua dificuldade para falar com "pessoas que ouviam mais com o coração do que com a mente e que eram mais sensíveis aos meus atos do que às minhas palavras".

Óbvio, suas colocações me recordam que o problema dos governos e das autoridades (legais, familiares, eclesiásticas) é que falam coisas bonitas mas não as praticam. Eventualmente podem ser intelectualmente admiráveis, mas seus gestos revelam corações vazios ou secos.

Logo que chegou à comunidade, entregaram aos seus cuidados Adam, um deficiente mental com 25 anos de idade, que não sabia falar e dependia de grandes cuidados. Henri, totalmente inexperiente nessa lida, se questionava por qual motivo tinham lhe entregue o paciente mais complicado. Segundo seus raciocínios bem acabados, "as pessoas mais bem treinadas devem trabalhar com as que têm as maiores deficiências" (p.41). A resposta que recebia é que naquela comunidade eles não se consideravam "prestadores de serviço" e "pacientes", mas sim ajudantes (os "normais") e membros centrais ("os deficientes"). Então, na verdade, ali todos eram amadores. E "amador", literalmente, significa "aquele que ama".

Foi inevitável minha mente se deslocar para a figura dos concurseiros iniciantes, amadores, e me agradar da idéia de que ao invés de jejunos e propedêuticos, fossem vistos como "aqueles que amam". De fato, depois de angariar com o tempo e o esforço alguma experiência, o concurseiro sabe que tem futuro, que existem caminhos, sabe que chegará lá, cedo ou tarde, já aprendeu algumas das "manhas", "macetes" e estratégias para a aprovação, e ainda aprenderá as que ainda faltam, assim como a matéria exigida. Então, depois de um tempo, ele é "escolado", "casca grossa"... e vai caminhar bem. Se souber administrar o cotidiano, as pressões e as dificuldades, se não desistir, se, se, se... (mas o concurseiro experiente já conhece os "se"s"), ele passará.

Já quem está começando, não. Ele precisa ser mesmo "aquele que ama" para prosseguir. Com o tempo, aprenderá tudo, mas para começar imagina (como eu imaginava) que é mais fácil realizar os "13 trabalhos de Hércules" do que passar em um concurso. A gente imagina a montanha de matéria, de candidatos, de dificuldades, e só com amor mesmo é que a coisa vai para frente.

E amor a que?

Existem diversos amores. Alguns muito nobres, como o amor ao próximo, ao país, a servir à comunidade, acabar com o crime, com a doença, ou fazer justiça. Muito Bonito, com certeza. Mas existem amores bem mais "diretos" e "práticos". Respeito um bem recorrente: o amor de alguns por conseguir receber no final do mês um polpudo contracheque (hollerit), que pague as contas e permita alguma diversão.

Não tenho a pretensão de escolher por ninguém e muito menos de fazer julgamentos morais sobre por quais razões alguém entra nessa estrada. Cada um é livre para escolher, e para mudar de escolha, ou de razões, na hora que bem entender. Sempre haverá alguém para criticar as decisões ou seus motivos e, particularmente, detesto fazer algo que já tem quem o faça.

Se a busca é pela estabilidade e pela remuneração, nenhum problema. Não a acho menos digna do que a do filantropo que deseja ser remunerado pelo governo para ajudar aos pobres. Basta-me que tal pessoa, a que faz concurso pela grana, cumpra bem seu dever. Ponto. E mesmo isso ainda é uma expectativa. Creio que o governo e a Administração Pública devem criar meios e métodos para eliminar dos seus quadros o preguiçoso, o ineficiente e o corrupto. Indo além, mesmo a corrupção é uma decisão pessoal. O que precisamos é criar instrumentos para prevenir e punir, para o bem do interesse coletivo. E alertar que a experiência mostra não valer a pena trocar o bom nome por riquezas, como já alertava o Rei Salomão (Provérbios 22:1), e que as riquezas de procedência vã evaporam e trazem mais custos do que benefícios.

O concurseiro amador é "aquele que ama". Encontrar o que se ama, e descobrir o que o concurso faz esse amor acontecer são uma grande fonte de motivação e energia para continuar a luta. Precisamos de combustível e o amor é a energia mais poderosa do planeta. Ele é quem faz uma pessoa levantar cedo e lutar para colocar o pão na boca do filho que ama, ou Madre Teresa cuidar dos pobres, em Calcutá.

Aliás, conta-se que um milionário americano visitou o Lar de Madre Teresa e ficou horrorizado com as dificuldades que ela passava para atender aos internos. Vendo o cenário, exclamou:

- Eu não faria isso por dinheiro nenhum nesse mundo!

A Madre respondeu tranqüila:

- Eu também não!

Ela estava ali por amor.

O concurseiro mais experiente ainda tem a experiência para lhe guiar e consolar, mas o iniciante ainda não tem nem isso. Ambos, antigos e novos, precisam de motivação e de ânimo, de um sistema de arrefecimento das frustrações naturais e de realimentação psíquica, física e emocional que permita seguir em frente.

Nessas horas, sugiro que sejamos um bom "amador", alguém que ama. Ame alguma coisa, qualquer coisa, e faça dela uma ponte para atravessar os dias difíceis.

E, depois da aprovação que certamente virá, ainda será preciso amar alguma coisa.

Lembro de quando era Delegado de Polícia na 17A D.P., em São Cristóvão, Rio de Janeiro. Adorava sair para fazer rondas, batidas, tudo a que tinha "direito". Eu amava isso. Numa dessas saídas, para atender um acidente de ônibus, encontrei os bombeiros. Um Oficial, reconhecido como tal pelo capacete branco, tirava uma criança ensangüentada do interior do veículo. Ele me olhou e disse:

- A gente ganha mal e ainda tem que ver isso, uma criança sangrando.

Já estava meio em choque pela criança e fiquei mais ainda pela frase, condoído com o pesar daquele "homem do fogo", pesaroso eu também pelo seu drama. Pior, não saiu nada de minha boca, não consegui dizer coisa alguma e me senti um incompetente. A cena ficou na minha mente vários dias, me incomodando.

Finalmente, algum tempo depois, veio a resposta. Eu deveria ter dito:

- Não, Oficial, a gente ganha mal, mas pelo menos podemos ajudar essa criança.

Ainda carrego a minha frustração pessoal de não ter tido tirocínio para dar a resposta presta, a tempo, para aquele homem angustiado. Estou certo de que aquela palavra o confortaria.

Sei que é mais fácil levar o cotidiano da repartição quando encontramos sentido no que fazemos, quando encontramos algum tipo de "amor" pelo trabalho ou pelos seus destinatários. Ser juiz federal sem algum tipo de amor, seja pelo Direito, seja pelo jurisdicionado, é absolutamente insuportável e não há remuneração que compense a falta de algo etéreo e intangível, parece até piegas, como o amor a alguma coisa.

Na pior das hipóteses, a pessoa pode levar o dia se no final do expediente ou da semana tiver alguma coisa que supra suas necessidades espirituais. Falei disso nos últimos capítulos do livro A arte da guerra para concursos, quando cito a Pirâmide de Maslow e a revolução (www.revolucao.info, para os interessados).

Aos concurseiros aprovados, recomendo amor pelo ofício ou, na falta dele, amor por alguma coisa dentro ou fora do ofício.

Aos concurseiros amadores, que trabalhem com afinco para deixarem logo de ser "iniciantes" e passarem a "iniciados": organizem-se, aprendam a estudar, estudem etc.

Aos concurseiro amadores, ainda, os votos de que sejam de fatos "aqueles que amam", ficando cada qual com o privilégio e a gravidade da tarefa de escolher a que amor entregarão suas almas.

Aos concurseiros antigos, os votos de que não deixem que o tempo, a rotina e a experiência, que a "casca grossa" impeça a refrigeração e aeração da mente, do corpo e da alma. Espero que algum amor continue fluindo pelas veias e pelos neurônios, tornando possíveis as passadas por mais longa que a estrada continue a parecer por enquanto.

É isso. São meus votos: sejamos sempre o melhor tipo de "amadores". Como já foi dito, mantenhamos a "seriedade de uma criança quando brinca", sem a pretensão de entender um mundo que é impassível de ser entendido. Tento manter-me sempre um "amador", motivado por algum amor que me faça seguir adiante, sem perder a impressão de que se não houver algum amor, a caminhada ficará seca e fria.

Para não fazer uma coluna muito longa, fico por aqui.

Mas, claro, se você ainda quiser conversar mais um pouco, continuemos.

Tenho uma grande identificação com Henri Nouwen: em algum momento, de nada adianta ser um intelectual, um profissional respeitado e reconhecido, ter uma situação privilegiada. Em algum lugar, somos todos iguais na necessidade de paz, auto-estima e aceitação, somos todos iguais na necessidade de sermos admirados pelo que fazemos, mas muito mais sermos amados independentemente do que somos capazes de fazer. Em suma, em algum lugar que a ciência, nem a razão, nem o sucesso permitem chegar; o amor compartilhado e gratuito é o que nos salva. Por isso, Henri foi para A Arca, e por isso escreveu um livro sobre sua relação com um deficiente mental. Por isso, algumas vezes, eu prefiro a companhia deles à de luminares dos mais admiráveis do ponto de vista intelectual, mas deficientes emocionais em busca apenas de aplauso. E não pensem que qualquer um de nós, a começar por mim, não está sujeito a tais tentações sutis. Os ricos, intelectual ou financeiramente, são os mais suscetíveis a serem enganados pela quimera da riqueza, e talvez por isso Jesus tenha alertado no Sermão do Monte (Mateus, Cap 5) que bem-aventurados são os pobres de espírito porque deles é o Reino.

Henri, no livro A volta do filho pródigo (p.47), diz: "O mundo diz: 'Sim, eu o amo se você é bonito, inteligente e rico. Eu amo 'você' se você tem uma boa educação, bom emprego e bons relacionamentos. Amo você se você realiza muito, vende muito, compra muito" . Há 'ses' sem-número escondidos no amor do mundo. Esses 'ses' me escravizam uma vez que é impossível responder adequadamente a todos eles. O amor do mundo é e será sempre condicional. Enquanto eu buscar o meu verdadeiro eu no mundo condicional, ficarei 'preso' ao mundo, tentando, caindo e tentando novamente. É um mundo que leva à decadência, porque o que oferece não preenche o anseio mais íntimo do meu coração."

Cito este texto por que o concurso nos exige alguns "ses" perfeitamente legítimos e necessários: se você estudar, se você treinar, se você não desistir... É só ler o "Como Passar" e você verá uma lista de "ses" acompanhados de suas conseqüências, premiações etc. Mas ao mesmo tempo, alerto que tudo isso não pode turvar nossa visão para as coisas mais simples. Passar no concurso é importante para dar nossa careira, emprego, realização, remuneração, estabilidade, uma série de coisas boas e desejáveis. Apenas não podemos deixar que as pressões externas impeçam que algum tipo de serenidade e de amor seja o combustível real que nos faz levantar da cama todos os dias.

Já digo isso mais como um "irmão de armas", um colega de caminhada, do que como professor de técnicas de estudo e de realização de provas. O problema é muito mais profundo do que passar... Como dizia Belchior, "viver é que é o grande perigo".

Amemos profundamente alguma coisa, vivamos em perigo.

Para concluir, naturalmente recomendo a leitura dos livros de Henri. Se me permitem o abuso, comunico que este mês chega às livrarias meu novo livro: Como falar bem em público, em parceria com Rogério Sanches e Ana Lúcia Spina, publicado pela Ediouro. Quem o ler, por favor transmita suas impressões pelo meu site ou pela comunidade no Orkut. Ficarei agradecido. Quanto à conversa de hoje, se tiverem comentários, eles são muito bem-vindos igualmente.

(1) "Adam, o amado de Deus", Paulinas, 2000. p. 41

(2) "A volta do filho pródigo", Paulinas, 2007, p. 18.